Ontem, enquanto eu procurava meu caderno nas montanhas de plástico amassado, sacos, papéis higiênicos e latas de atum, ela despedia o jardineiro e chegavam todos aqueles homens de preto com as capas pretas correndo para botar no sofá caso venha a chuva. Veio só uma garoa, foi tudo desnecessário, os cachorros me perseguiam sem necessidade e quando me alcançavam, um pouco antes do portão que nos separava das árvores e de um mundo de paraíso onde não se pode comer certas coisas, algumas frutas, fossem quais fossem, nada faziam. Um bege e muito musculoso parou exatamente quando parei, o que mais havia de fazer? O preto também não ligou muito quando subi, barriga enorme de grávida quase impedindo, dificultando e me pendurando quase na setas espetadas nas pontas para que ninguém vá. Ninguém deve ir a lugar nenhum, naquele ônibus ficou mais do que clara a mensagem: a mãe dependurada como se fosse Carnaval, um carro alegórico e embaixo a avó cuidava da criança, todos enfeitados demais. Agora não sabemos se foi um erro da arquitetura, daquele lugar, o teto curto demais, se tivesse ido mais um pouquinho ou desvairio do decorador e os moços têm de correr como se não houvesse amanhã cada vez que os pingos quase encostam nas almofadas, nos almofadinhas, cobrem tudo com uma capa muito comum de carro nos anos 80 e 90, lembra? E não podemos nós sair do cercadinho ali e daquele conhecimento com aquelas árvores e o chão xadrez. Mas o engraçado é que sabemos exatamente o que tem ali, ali é quentinho e aconchegante, nada nos acontece e ninguém nos sabe dar uma nova informação. Nunca antes nada foi dessa maneira e, de fato, como também te disse ontem e me disse a Cynthia, nunca as coisas foram tão ao contrário, tão daquele outro jeito.
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1 comentários:
bom que voltou pro 32!
acompanhando a jornada de mimoca que solta água salgada por aí...
bjos e saudações
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