segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
para juliana
Cuidado comigo, ando enxergando cada vez mais longe, vasculhando as coisas, andando pela tua casa, quase abri tua janela. Já sei que quem vi talvez não tenha sido você, mas podia ser só um disfarce desses de índio. Ando lendo tuas cartas simples, fuçando tua roupa bagunçada naquele canto à esquerda da cortina branca de correr, com o espelho estreito e todas aquelas tranqueiras dispostas de mulher ajeitada, as coisas penduradas no cabideiro, seus artifícios mal ajambrados. Em certos nanossegundos tive dó, mas dó não é coisa que se deve ter, especialmente eu que perco tanto tempo com teus pormenores. Vi todas as tuas besteiras, fotos horrorosas e uma suposta intimidade. Não sei pra quem é que mentia, se pra mim, se pra você, se para ambas. Mas logo passou. Havia mesmo duas coisas jogadas naquela cama encostada na parede pela cabeceira e solta no quarto e uma delas eu conhecia e não era sua máquina. Não tem vergonha desses artifícios? O que anda querendo por aqui? Não vê que é tudo mentira? Eu teria. E de pensar que me afeiçoaria a você em outros tempos como me afeiçoei a várias coisas que não me diziam respeito. E procurando por um endereço talvez tenha encontrado teu email que de nada me serve.
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