segunda-feira, 7 de setembro de 2009
não muito
Hoje tenho que guardar as chaves debaixo das pedras mais pesadas porque já não sei o que é que controla a membrana que nos separa. Queria que a água que brota brotasse menos, que a raiva que surge nascesse menos, que o que fosse meu, fosse meu de fato. Mas nada quase é. São vagarosas as teclas que vagaroseiam as entradas, são pequenos micro toques de mentiras ensaiadas. Eu não perdoei as tuas coisas repreensíveis como te fez entrar no segredo das minhas e as coisas que estão soltas. Eu não vivo mentira sorrateira. Aqui não há nada que se possa surpreender porque o que é, é. O que está se apresenta. Por favor, por favor, não tenho mais direito a lebres. Que vida se faz disto? A que vida nos prestamos obedecer? Queria a levez da culpa que não carrego mais, por favor pare de me entregá-la. Eu não quero ter medo e tenho pois lá ele existe sabendo da tua força maior. Eu quero a tranquilidade de minhas pedras pesadas e é lá mesmo que elas não existem, apagadas porque não posso decidir sobre o que permanecerá. A tristeza de teus dedos que precisam de tuas próprias negações já que as minhas não servem. Minhas senhas, meus códigos inexistentes, estou sem roupas, sem gavetas, sem cantos, no meio do espaço vazio que não existe sem fresta onde se encoste, apoie, esconda coisa qualquer. Uma presa fácil sei, sou, com minhas formas julgadas, analisadas, criticadas. Eu não sei disso como não sei do futuro. Estou inconjunta, me respeite o silêncio, me respeite a falta de presença e desejo, me respeite tudo, já que meu próprio tudo não pode ser respeitado. Quase compreendo, mas não muito.
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4 comentários:
sobre pesos inexistentes
entre fatos descaidos
as paisagens inventadas cairam
e o que restou dos sulcos
sao impressoes infimas
dentro dos espaços inalterados
que criamos dentro de nos
obrigada pela visita e pela poesia...
muito bom, milena.
inspirador, em breve mando alguma ilustração.
beijo
Que bom, Luiza, fico muito feliz!
Adorei teus desenhos, beijos.
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